CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
Lei Nº 13.105, de 16 de Março de 2015.
Artigo 908
Havendo pluralidade de credores ou exequentes, o dinheiro lhes será distribuído e entregue consoante a ordem das respectivas preferências.
§ 1º No caso de adjudicação ou alienação, os créditos que recaem sobre o bem, inclusive os de natureza propter rem , sub-rogam-se sobre o respectivo preço, observada a ordem de preferência.

§ 2º Não havendo título legal à preferência, o dinheiro será distribuído entre os concorrentes, observando-se a anterioridade de cada penhora.


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Resumo Jurídico

Alienação de Bens em Condomínio: Uma Visão Detalhada do Art. 908 do CPC

O artigo 908 do Código de Processo Civil (CPC) traz regras importantes sobre a alienação de bens que pertencem a mais de uma pessoa (condomínio) em processos judiciais. Ele visa garantir que a venda desses bens seja feita de forma justa e eficiente, protegendo os direitos de todos os envolvidos.

Vamos entender os pontos chave:

1. A Regra Geral: Venda da Coisa Comum por Inteiro

A regra primordial estabelecida pelo artigo 908 é que, quando um bem pertence a mais de um proprietário e é objeto de um processo judicial que determina sua venda, a coisa comum será vendida por inteiro. Isso significa que o bem indivisível será vendido como um todo, e não em partes.

2. A Divisão do Produto da Venda: Um Cálculo Justo

Após a venda do bem comum, o valor arrecadado será dividido entre os coproprietários. O artigo 908 determina que essa divisão será feita na proporção das quotas de cada um. Ou seja, quem tem uma fração maior do bem receberá uma parte maior do valor arrecadado na venda.

3. O Cenário da Dívida e a Preferência dos Credores

O artigo 908 também aborda uma situação comum: a existência de dívidas que recaem sobre o bem ou sobre um dos coproprietários. Nesse caso, o procedimento se torna um pouco mais complexo:

  • Pagamento das Dívidas da Coisa Comum: Primeiro, serão pagos os débitos que incidem diretamente sobre o bem comum. Por exemplo, se o imóvel em condomínio possui dívidas de IPTU ou condomínio, essas serão quitadas com o valor da venda antes da divisão entre os proprietários.
  • Pagamento das Dívidas dos Coproprietários: Em seguida, o restante do valor será utilizado para pagar as dívidas dos coproprietários que aparecem no processo. A lei estabelece uma ordem de preferência:
    • Créditos Representados por Títulos Judiciais: Serão priorizados os credores cujos créditos foram reconhecidos em decisões judiciais anteriores (títulos judiciais).
    • Créditos com Garantia Real: Em seguida, vêm os credores que possuem uma garantia real sobre o bem (como uma hipoteca).
    • Outros Créditos: Por fim, serão pagos os demais credores, na ordem legal de preferência.

4. O Que Acontece se o Valor da Venda Não For Suficiente?

É importante notar que o artigo 908, em sua essência, trata da distribuição do produto da venda. Se o valor obtido na alienação não for suficiente para cobrir todas as dívidas, os credores remanescentes terão o direito de buscar o pagamento de seus créditos pelas vias ordinárias, ou seja, através de outros processos judiciais. A alienação judicial do bem comum não extingue automaticamente o direito de cobrir a dívida com outros bens do devedor.

5. O Lançamento de Edital e a Publicidade

Para garantir a transparência e dar ciência a todos os interessados, o artigo 908 implicitamente exige que a venda do bem seja precedida de editais, informando sobre a alienação e as condições da venda. Isso permite que potenciais compradores se manifestem e que os credores estejam cientes da situação.

Em resumo, o artigo 908 do CPC estabelece que:

  • Bens em condomínio devem ser vendidos por inteiro.
  • O valor da venda é dividido entre os coproprietários conforme suas quotas.
  • Dívidas sobre o bem e, posteriormente, dívidas dos coproprietários (com prioridade para títulos judiciais e garantias reais) são pagas com o valor da venda.
  • Se o valor da venda for insuficiente, os credores podem buscar o restante por outras vias.

Este artigo é fundamental para a organização e a justiça em situações onde bens indivisíveis pertencem a múltiplos indivíduos e precisam ser vendidos em decorrência de um processo judicial.